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EPG Felício Marcondes

Alunos desenvolvem projetos de cidadania e sustentabilidade 
 

Texto: Yve de Oliveira

Fotos: Maurício Burim
 

Segundo dados da Organização das Nações Unidas – ONU, estamos no vermelho ecológico. Desde a década de 70, com o crescimento das emissões de carbono e da demanda humana por recursos naturais, começamos a ultrapassar a capacidade de produção renovável do planeta. 

À medida que aumenta nosso nível de consumo vemos a redução drástica das florestas, a perda da biodiversidade, o colapso dos recursos pesqueiros, a escassez de alimentos e acúmulo de gás carbônico na atmosfera.

Segundo a Constituição Federativa do Brasil “Todos têm o direito ao meio ambiente ecologicamente equilibrado, bem de uso comum do povo e essencial à sadia qualidade de vida, impondo-se ao Poder Público e à coletividade o dever de defendê-lo e preservá-lo para as presentes e futuras gerações”.

Nessa perspectiva, a EPG Felício Marcondes desenvolveu o projeto "Sustentabilidade, exercendo a cidadania", que objetiva incentivar práticas e reflexões sobre o consumo consciente dos recursos naturais do planeta.

A diretora Zenaide Evangelista Clemente Cobucci acredita que "a educação tem um papel fundamental na promoção de novos hábitose valores para o consumo sustentável".
 

Boa Energia nas escolas

O sociólogo e filósofo francês Félix Guattari preconizava, já na década de 1970, que a ecologia deveria começar com o indivíduo, passando pelas relações pessoais e sociais, para chegar ao meio ambiente. Ou seja, um movimento que de dentro para fora, alcançasse uma mudança de mentalidade.

É nesse sentido que a EPG Felício Marcondes, em parceria com a EDP Bandeirantes, participa do projeto "Boa energia nas escolas".

Boa Energia nas Escolas é um projeto educacional que objetiva a promoção a capacitação dos educadores da rede pública, para que eles possam ensinar a seus alunos como usar de forma segura e eficiente a energia elétrica.

Após a capacitação dos professores, as escolas participantes também recebem um Kit educacional, com o material para ser utilizado em sala de aula com os alunos da educação básica.

"É um projeto que acontece na escola, mas que acaba refletindo também nos pais a partir dos conhecimentos adquiridos e pelos novos hábitos das crianças", afirma a diretora.

A professora Estela Maria Ceminaldo, explica que a reflexão para redução de consumo já havia sido iniciado antes da parceria com a EDP.

"No livro didático deles já existia um conteúdo especial sobre meio ambiente, então foi maravilhoso quando pudemos associar os dois conteúdos no projeto da escola", conta.

A coordenadora Márcia Cristina de Moraes Zaccardelli explica que um dos eixos do projeto "Boa Energia" é ensinar as crianças a leitura das contas de água e luz de suas casas, com meta de redução de 10% para cada residência envolvida incluindo a própria escola.

"É muito interessante perceber o envolvimento das crianças no projeto. Hoje elas se sentem responsáveis pelo consumo de energia de suas casas e da escola, fiscalizam a utilização da energia e da água, desligam a luz das salas, o computador, e se tornaram adeptos do banho ecologicamente correto", afirma entusiasmada, a coordenadora.

"Eu aprendi que a gente não pode deixar tudo ligado ao mesmo tempo na tomada, porque pode ocorrer uma sobrecarga, causando um apagão".
Luis Eduardo, 8 anos

A professora Estela esclarece que para facilitar o entendimento das crianças quanto ao projeto, foram realizadas maquetes das casas dos alunos. "Após a maquete, fizemos uma roda de conversa, para refletirmos sobre os hábitos de cada família, bem como as atitudes que poderíamos tomar para melhorar a qualidade de vida de todos, tanto em casa quanto na escola".
O aluno de 8 anos, Luiz Eduardo Pereira Chaves, conta com propriedade sobre as mudanças no consumo que já foram possíveis   na sua casa, após os conhecimentos adquiridos na sala de aula. "Eu aprendi que a gente não pode deixar tudo ligado ao mesmo tempo na tomada, porque pode ocorrer uma sobrecarga, causando um apagão".

Ele também explica o que acontece com a utilização da televisão. "Quando a gente não quer mais assistir tv, temos que desligar da tomada, por que mesmo em stand by, ela continua consumindo energia.Minha mãe me dá apoio e ela acredita em tudo que eu ensinei pra ela", conta animado.

A vice diretora Valéria Aparecida Fernandes de Almeida, explica que a proposta privilegia a reflexão dos novos hábitos, a partir do dia a dia das crianças e das famílias, "valorizamos no projeto todas as pequenas atitudes, por que é a partir delas que conseguiremos espalhar novas sementes de mudança também para a comunidade do entorno".   

Estela esclarece que, para tornar o projeto significativo, a atividade pedagógica é realizada de forma específica para cada etapa de ensino, "agora no segundo semestre vamos discutir mais profundamente os caminhos da eletricidade e a utilização dos recursos naturais pelo homem", afirma.

 

Self Service – Alimentação sem Desperdício

De acordo com a ONU, 1,3 milhão de toneladas de alimentos são perdidas ou desperdiçadas todos os anos no mundo.

Para promover mudanças de hábitos alimentares e evitar o desperdício de alimentos, a Rede Municipal de Educação adotou o sistema self service, em 2007.

Esse sistema, que faz parte do Programa Alimentando Bons Hábitos da Secretaria de Educação, foi idealizado pelo Departamento de Alimentação Escolar e Suprimentos da Educação [DASE], com apoio de parceiros como a Universidade de São Paulo [USP].

Todos os anos são servidas cerca de 35 milhões de refeições, elaboradas com produtos que fazem parte da base da culinária brasileira, como arroz, feijão, carne e legumes.

"Com o self service, os próprios alunos colocam no prato apenas o que desejam comer, reduzindo dessa forma o desperdício de alimentos", explica Zenaide.

A iniciativa desenvolve a autonomia das crianças e também as incentiva a terem uma alimentação mais saudável, com o consumo de frutas e legumes.

“Depois da chegada do balcão, observamos uma grande diminuição no desperdício dos alimentos”, conta a cozinheira Maria Ione Rondim.

"Eu acho a proposta muito bacana, instrutiva. Nós ajudamos, explicando sobre a quantidade e a qualidade dos alimentos que eles consomem. Eles saboreiam de tudo um pouco do cardápio e podem repetir o quanto quiserem", diz Maria Ione.

A diretora esclarece que todas as cozinheiras da Rede Municipal participaram de atividades de formação para se adaptarem à adoção do novo sistema pelo DASE.

"A parceria com o DASE é muito importante, que também contribui com palestras sobre alimentação saudável para as crianças e os pais", reforça Zenaide.

 

Óleo de cozinha também se recicla?

Buscando o fortalecimento do projeto "Sustentabilidade, exercendo a cidadania", a escola decidiu envolver e informar a famílias da comunidade em uma ação ambiental muito importante: a reciclagem do óleo de cozinha.

"Muitos bares, restaurantes, hotéis e residências ainda jogam o óleo utilizado na cozinha direto na rede de esgoto, sem saber os prejuízos que essa atitude pode acarretar à natureza", argumenta a coordenadora pedagógica Márcia.

Márcia explica que o óleo retido no encanamento causa entupimento das tubulações. "Se não existir um sistema de tratamento de esgoto, o óleo acaba se espalhando na superfície dos rios e das represas, contaminando a água e matando muitas espécies que vivem nesses habitats".

A diretora Zenaide explica que a proposta foi decidida em conjunto com a comunidade na reunião de pais. "Muitos dos pais não tinham a noção do mal que faziam ao jogar o resto do óleo no ralo da pia".

Dados apontam que apenas um litro de óleo é possível para contaminar um milhão de litros de água. Para evitar que o óleo de cozinha usado seja lançado na rede de esgoto,  cidades, instituições e pessoas de todo o mundo têm criado métodos para reciclar o produto. As possibilidades são muitas: produção de resina para tintas, sabão, detergente, glicerina, ração para animais e até biodiesel.

Márcia conta que para contribuir com o aprendizado dos alunos frente ao tema da sustentabilidade e a reciclagem do óleo, a escola vem organizando visitas às Estações de Tratamento de Água e Esgoto da cidade.

 "As visitas ampliaram o olhar e a preocupação das  crianças  e dos professores quanto à  responsabilidade social e    ambiental de todos.  Estamos cada dia mais envolvidos nos  projetos,  comprometidos tanto com o bem estar particular  quanto o coletivo".

 

Sustentabilidade e Cidadania

Desde 1999, organismos como a UNESCO vêm incentivando a sociedade a refletir e desenvolver ações de cidadania para a manutenção da vida na Terra.

A Carta da Ecopedagogia é um desses instrumentos de conhecimento, geradores de ações ambientalistas para a educação, que intensificam o olhar da sustentabilidade para além da natureza, "em uma relação saudável e equilibrada com o contexto, consigo mesmo, com os outros, com o ambiente mais próximo e com os demais ambientes" [UNESCO, 1999].

A coordenadora Márcia esclarece que a escola, além de se aprofundar no tema da sustentabilidade, ainda incentiva todos os professores a refletirem sobre a importância da formação dos alunos para a cidadania e para o estabelecimento de relações sustentáveis, tanto na escola como na vida em sociedade.

Tal reflexão também gerou uma proposta pedagógica com as turmas da Educação Infantil, chamado "Projeto Valores", considerando que, no início do processo de escolarização, nem sempre é fácil mediar os conflitos de convivência entre os alunos.

“O Projeto Valores oportuniza a todos a criação de regras de boa convivência, a partir do que as crianças chamam de palavrinhas mágicas", conta Márcia.

Dentre os principais objetivos estão: a discussão da importância dos acordos; o desenvolvimento de valores como respeito, ética, amizade e honestidade entre todos; e a sensibilização dos alunos quanto a um bom convívio com os colegas e funcionários da escola.

Zenaide explica que as palavras mágicas são simples: com licença, por favor, me desculpe e muito obrigado, mas são fundamentais para a construção de uma atitude e solidária para o futuro.

"Os resultados do projeto já são nítidos. As crianças estão cada dia mais integradas e felizes e isso é um grande incentivo para continuarmos. Tudo que fazemos por eles é por amor e eu amo o que eu faço!", afirma a diretora.

 

Quem foi Felício Marcondes?

Felício Marcondes Munhoz foi um rico proprietário de terras do final do século XIX, em Guarulhos.

Com a Proclamação da República, em 1889, foi nomeado intendente (na época, equivalente ao cargo de prefeito) para administrar a então Vila de Nossa Senhora da Conceição dos Guarulhos.

Foi ainda eleito vereador em oito ocasiões, e escolhido pelos próprios colegas vereadores para ser presidente da Casa, cargo que exerceu entre 1892 e 1919.

 

Ficha Técnica

Endereço: Rua Soldado João Alberto, nº 216 - Torres Tibagi

Inauguração: 27/04/1977

Professores: 25

Funcionários Administrativos: 5

Cozinheiras: 4

Equipe de limpeza: 3

Agente de Portaria: 4

Alunos: 477

Atendimento: Educação Infantil e Ensino Fundamental

Diretora: Zenaide Evangelista Clemente Cobucci

Vice-diretora: Valéria Aparecida Fernandes de Almeida

Coordenadora Pedagógica: Márcia Cristina de Moraes Zaccardelli

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