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Educação

EPG Cora Coralina

Proposta resgata o folclore e a filosofia indígena
 

Texto: Yve de Oliveira

Fotos: Maurício Burim
 

Conta a sabedoria indígena que, quando não cumprimos aquilo que prometemos, o fio de nossa ação que deveria estar concluída e amarrada em algum lugar fica solto ao nosso lado.

Com o passar do tempo, os fios soltos enrolam-se em nossos pés e impedem que caminhemos livremente, ficando amarrados às nossas próprias palavras.  

Essa mensagem da coerência e do exercício de uma cidadania crítica e consciente integra as ações da EPG Cora Coralina, quee laborou uma proposta pedagógica alicerçada na experiência dos valores do contato com a natureza e com a sua própria identidade cultural, a partir das lendas indígenas.

Algumas dessas histórias foram criadas a partir de fatos verídicos, de regiões onde viveram seus heróis antepassados, e que se sobressaíram dentre os membros de sua tribopelo poder, beleza, bondade, caridade ou outros feitos.

E é isso que os nativos têm o costume de chamar de “por-as-palavras-a-andar”, que significa agir de acordo com o que se fala, conduzindo a uma integridade entre o pensar, o sentir e o agir no mundo.

"Nas nações indígenas, as lendas são ferramentas educativas muito importantes, pois possuem o encantamento para compartilhar aprendizagens e saberes para os mais jovens", explica a coordenadora pedagógica Ana Cecília Fernandes.

Todo dia é dia de índio

Muitos hábitos da contemporaneidade são heranças de costumes indígenas. Tanto na alimentação, na expressão artística, nos vocábulos da língua portuguesa, bem como nas práticas corporais [danças, lutas e brincadeiras], a cultura indígena se destaca como ponto fundamental na nossa constituição multicultural.

Beleza histórica e cultural que pode ser apreciada nas paredes das salas de aula, no pátio e no cheirinho do chá de gengibre com maçã, servido a todos durante as atividades do projeto "Resgate Folclórico Indígena Brasileiro".

A coordenadora Ana Cecília conta que o projeto foi construído na perspectiva da promoção e valorização de hábitos e valores ancestrais, bem como visando o desenvolvimento dos aspectos: físico, psíquico e emocional, dimensões da integralidade humana.

"Para as crianças é muito comum a interação com a natureza, já que o bairro do Cabuçu é cercado pela belíssima Serra da Cantareira. Mas, como estamos também, num ambiente urbano em expansão, acreditamos ser de grande importância que os alunos não percam a referência da sua identidade cultural para que respeitem o meio ambiente e o preservem".

São ainda objetivos do projeto oportunizar aos alunos o reconhecimentoda diversidade humana, formando cidadãos cooperativos no convívio social.

Para despertar o interesse dos alunos quanto à valorização das diversas etnias, a EPG Cora Coralina buscou potencializar a utilização de recursos lúdicos como o resgate de brincadeiras indígenas, além de artes plásticas, música, teatro, etc.

"Todo o nosso projeto pedagógico parte do contexto histórico-social da criança. Do que ela gosta, conhece e se identifica, então, nesta perspectiva, ensinar e aprender se torna um processo muito mais prazeroso e significativo", esclarece.
 

Ensinar, aprender e fazer sentido

"O meio natural é o verdadeiro material intuitivo capaz de estimular forças escondidas da criança". Este pensamento da metodologia dos Centros de Interesse, criada pelo belgaOvideDecroly, inspirou a EPG Cora Coralina na elaboração do Plano de Ação Meio Ambiente– Sustentabilidade.

"Decroly dedicou-se a experimentar uma escola centrada no aluno que preparasse as crianças para viver em sociedade, em vez de simplesmente fornecer a elas conhecimentos e formação técnica", explica Ana Cecília. 

A base do método dos Centros de Interesse parte do princípio que os temas ou conteúdos a serem estudados devem ser apresentados no todo, e não repartidos em disciplinas ou áreas do conhecimento.

“Neste processo, por exemplo, focamos nos temas pelos quais os alunos demonstraram maior curiosidade em investigar. Dessa maneira, vamos integrando os eixos dos saberes necessários aos centros de interesse dos alunos, o que torna a aprendizagem mais efetiva e significativa”, argumenta a gestora.

No caso do projeto "Resgate Folclórico Indígena Brasileiro", o centro de interesses das crianças, que era a cultura e os hábitos indígenas, foi sendo enriquecido pela contação das lendas,degustação de comidas típicase brincadeiras e oficinas lúdicas.

"A partir dessas atividades, outras aprendizagens e interesses vão emergindo na sala de aula, o que torna essencial o planejamento constante, bem como uma ação pedagógica mais atenta e dinâmica",afirma Ana Cecília.

EcoViver: A arte de viver e transformar o meio

Por muitos séculos, o homem tem usado com imprudência seu ambiente natural, como se os recursos nele contidos fossem ilimitados. Nesta perspectiva, a escola tem um papel fundamental para a difusão da informação frente à importância de criação de uma consciência ecológica sustentável.

Em parceria com a Secretaria de Educação e o Grupo EcoRodovias, o EcoViver oportuniza desde 2006, formação especializada na temática do meio ambiente e sustentabilidade a professores de redes públicas e privadas de educação.

"O projeto oferece uma oportunidade única para o exercício da cidadania, para o entendimento de que a atuação individual é relevante para a conquista de soluções de benefício coletivo", argumenta a coordenadora pedagógica do Ensino Fundamental Vânia Gonçalves de Oliveira.

Por acreditar que a escola é um dos principais espaços para a difusão da informação, o Ecoviver conta com os professores como grandes aliados, que passam a atuar como agentes culturais multiplicadores entre os alunos.

Temas como o uso consciente da água, aumento da população, desperdício, aquecimento global, reaproveitamentode materiais e mudança de comportamento individual e coletivo são temas constantes das atividades desenvolvidas pelos professores com os alunos da EPG Cora Coralina.

Durante o projeto as crianças participam de rodas de conversa que propiciam a reflexão sobre os problemas ambientais do entorno. Dentre estas atividades, destacam-se: "O muro das lamentações" e "A árvore dos sonhos".

O Muro das Lamentações consiste na reflexão sobre os problemas de ordem individual e coletiva que afligem o bairro e a comunidade."Lá são expressos todos os tipos de problemas, desde a falta de estrutura, saneamento, até os maus hábitos dos moradores que impactam negativamente no bem estar da comunidade", conta a coordenadora.

Já na Árvore dos Sonhos,as crianças podem imprimir as possibilidades, ou seja, as ações que poderão gerar soluções para os problemas apontados no muro.

No projeto as crianças também participam de oficinas de brinquedos com materiais reciclados, realizam registro audiovisual dos processos formativos e desenvolvem coletivamente uma peça teatral para toda a comunidade, com a finalidade de informar os temas desenvolvidos.

"O envolvimento dos professores e dos alunos está sendo incrível, as apresentações e as oficinas a cada dia vêm aproximando mais a comunidade da escola, e os resultados na aprendizagem dos alunos são nítidos", conta Ana Cecília.

A busca pela pesquisa e pela literatura também fazem parte da identidade dos alunos do Cora Coralina, que promove o projeto Ciranda do Livro paratodos, desde a Educação Infantil ao Ensino Fundamental.

"Toda semana, às sextas-feiras, eles escolhem um livro de sua preferência e levam para casa", explica Vânia.

O projeto acontece de forma ininterrupta durante o ano e visa incentivar a leitura como uma fonte de prazer e entretenimento. "Livro é o que não falta na escola, além da biblioteca, distribuímos uma boa quantidade nas salas de aula e no pátio, assim os alunos podem ficar à vontade para manuseá-los a qualquer momento", conta a coordenadora animada.

O Cora Coralina é assim: uma mistura de saberes e processos que entrelaçam e se unem para um único objetivo: uma Educação de qualidade para todos, afirma Ana Cecília.

Quem foi Cora Coralina?

Ana Lins do Guimarães Peixoto Brêtas, mais conhecida comoCora Coralina foi uma poetisa brasileira.Nascida em Goiás, Cora Coralinase considerava mais doceira do que escritora. E costumava dizer que seus doces de caju, abóbora, figo e laranja, eram obras melhores do que os poemas escritos em folhas de caderno.

A escritora, que aos 70 anos decidiu aprender datilografia para preparar suas poesias e enviá-las aos editores, foi ainda a primeira mulher a ganhar o Prêmio Juca Pato, em 1983, com o livro Vintém de Cobre – Meias Confissões de Aninha. 

Recebeu o título de Doutor Honoris Causa da UFG e foi eleita com o Prêmio Juca Pato da União Brasileira dos Escritores, como intelectual do ano de 1983.Faleceu em Goiás Velho, aos 95 anos.

Ficha Técnica

Endereço: Rua Dez, 105, Jardim dos Cardoso

Inauguração: 27/02/2005

Professores: 51

Funcionários Administrativos: 4

Cozinheiras: 8

Equipe de limpeza: 6

Agente Escolar: 1

Estagiária de inclusão:1

Agente de Portaria: 4

Alunos: 1117

Atendimento: Educação Infantil, Ensino Fundamental e Educação de Jovens e Adultos.

Diretora:Clorilda Rodrigues de Mendonsa Pereira

Vice-diretora: Elizete Quaiato Ribeiro de Melo

Coordenadoras Pedagógicas: Ana Cecília Fernandes e Vânia Gonçalves

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